terça-feira, 24 de novembro de 2009

Para quando o que é importante?


Criança em Nairobi - Quénia

Que dia este!

São 23:45 e o dia está a terminar.

Depois de uma manhã a ler sobre um assunto importante, uma tarde a cumprir agenda sem grande produtividade, jantar, festa de anos, e agora, passo pelas notícias do país e do mundo a correr muito, porque há trabalho ainda para fazer. Até lá para as três da manhã.

Ao olhar a actualidade, as intervenções, as análises, os comentários, observo tão grande superficialidade e uma distância tão grande daquilo que importaria discutir.

Estatísticas do momento, joguinho partidário, contraditório pelo contraditório, habilidades com o orçamento a disfarçar o buraco e o desequilíbrio, comentário sobre não notícia, enfim… uma lástima.

Todos os dias a mesma coisa.

E os problemas estruturais do país. E os problemas estruturais do Mundo?

Não há um artigo profundo. Não há debate sério sobre nada.

A propósito de coisas sérias, faz hoje vinte anos sobre a Convenção Mundial da Criança e sessenta anos sobre a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

No Mundo metade das crianças continuam a sofrer carências básicas, morrendo de doenças evitáveis, sendo vítima de abusos ou discriminação.

Falta de acesso a uma escola, a água potável, a um tecto, a alimentação, a protecção contra a violência, exploração ou discriminação.

Em muitos países de África – sim - sem dúvida que as carências são maiores, mas não só aí!

Tratar das nossas crianças, deve ser um desígnio tão forte, que merecia um abraço fraterno de todas as nações do Mundo, principalmente das que mais podem fazer para que mais ajuda chegue onde ela é verdadeiramente precisa.

Não tem haver com política, tem haver com decência, com dignidade, com moral.

Agora pergunto, alguém se lembra de ver por cá um debate sobre este assunto?

Até já.

2 comentários:

  1. Caro Ricardo Campos:
    Felicito-o pelo seu blogue onde, entre outras coisas, faz eco das suas justas preocupações sobre o mundo em que vivemos.
    Em “Para quando o que é importante?” dá nota do afastamento em que os nossos dirigentes andam da realidade que interessa considerar.
    Nota-se que os partidos portugueses, os seus dirigentes e os órgãos de soberania nacionais procuram reger-se por uma agenda em que não entrem, ou quase não entrem, os problemas que mais nos afligem, aqueles que nos podem levar ao descalabro se não forem atacados com grande determinação. A generalizada falta de ética, o calamitoso estado da Justiça, o elevadíssimo endividamento externo, a baixa produtividade geral, a baixa produção nacional, a regressão dos nascimentos e o envelhecimento da população, o gravíssimo estado da educação (cujo ponderado ataque levaria ao enquadramento e minoração do actual problema dos professores), o elevado peso da administração pública bem como a corrupção, são exemplos de questões que apenas têm sido consideradas de uma maneira muito parcial e, não raro, distorcida.
    Temos de envidar todos os nossos esforços para que isto deixe de ser assim. É verdade que encarar seriamente alguns dos problemas não dará votos, porque promete suor e menos regalias logo a seguir. Mas não encará-los pode ser criminoso, em particular para os nossos filhos e netos
    Um abraço.
    Pedro Faria

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  2. Boa noiTe RicardO..
    para mim não é normaL ver e comentar blogues, mas esta é uma excepção.
    dou-lhe os meus parabens peLa simplicidade das paLavras da escrita mas nestas denota-se um grande impacto nesta simples escrita...
    deveria cá postar + uns artigos que prometo ser fiel À leitura
    cumprimentos
    Sílvia Gonçalves

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