quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Cuba! E a vida tão triste...

E as fotos lá vão ficando nas pastas, como não recordar Cuba em Outubro do ano passado.
O comunismo falhou no Mundo, e em Cuba também.
Entristeceu-me aquele povo oprimido, sem liberdade, os olhos tristes naqueles rostos, as ruas de Havana com camaras e policias em cada esquina, muitos deles apenas ouvindo os assuntos que se falavam.
Karl Marx e Lenine falharam na sua ciência!
Saúde de borla, dinheiro contado para a comida, liberdades confiscadas, internet só para turistas, como é possível encontrar estimulos, onde nao ha recompensa para o esforço adicional, para a criatividade individual ! Valha-me Deus! Cada vez mais me apetece afirmar os valores da social-democracia, a liberdade, a afirmação do primado do homem sobre o estudo, numa economia liberal e moderna, tendo em atenção também a justiça social.
O bom que trouxe de Cuba foram as praias de Varadero, as aguas quentes, os resorts, vá ... os monumentos de Havana.
De resto nao esquecerei aqueles rostos, principalmente o da nossa guia, professora de Matemática com doutoramento e galardoada com prémios internacionais. Foi proibida pelo governo de aceitar o convite para ser professora de Matemática na Universidade do México, o despacho considerava que tal iniciativa da Universidade era um roubo de talento, lembro-me de lhe ter dito, que na minha opinião se tratava era de um enorme desperdicio de talento.
E assim deve continuar, triste e amargurada, deprimida, contando a história daquele país resignado a Fidel Castro.

Arrumar fotos antigas.

Quando percorro o Parque do Sorraia sinto uma vida que antes nao existia. Coruche sofre uma transformação em cada dia, e para mim, não posso deixar de expressar que Requalificar a Zona Ribeirinha de Coruche foi um desafio galvanizador, pela alegria que senti nas pessoas daquela vila ribatejana, desde o cidadão comum, aos autarcas que concretizaram um objectivo de décadas.
Durante anos, o rio invadia a vila e a casa das pessoas e a zona da praça de touros era uma extensa área de saibro muito desorganizada.
Como dizia Gabriel Garcia Marquez, o prazer nao está em chegar ao topo da montanha, estará em subi-la, porque não lembrar o galvanizador desafio do ano em que se construiu aquela importante obra.
Foi assim, a construção, o dia da alegria da inauguração a 12 de Dezembro de 2005, que nao esquecerei por dois motivos, pela obra concluida, mas sobretudo por ter conhecido o Abilio Rodrigues, filho do dono da empresa construtora com quem mantive uma conversa agradável durante o almoço, que nos deixou a todos num acidente perto de Ourém na noite desse mesmo dia. Foi um choque, que por vezes ainda me vem à memória, nessas estradas de portugal que percorro.

No Dique, ainda em construção ...

sábado, 25 de agosto de 2007

Quim Barreiros em Cabanas!

Ontem à noite, o Quim Barreiros esteve em Cabanas de Viriato num espectáculo comemorativo dos 135 anos da Filarmónica, com casa cheia, rostos de Cabanas, do concelho e de outras paragens. Como Presidente da Junta, é uma alegria quando vejo tanta gente vir ao nosso encontro. Bem o Presidente da Direcção (o meu Pai), o Ernesto que ganhou desde logo uma empatia com o Quim, e toda aquela equipa que o acompanha, foram corajosos e dedicados, uma organização profissional não teria feito melhor.
Já depois do espectáculo, enquanto jantava, conversa de cerca de uma hora com o Quim Barreiros, com os seus já 60 anos, mantém grande jovialidade fruto de ter vivido uma vida a fazer aquilo que gosta; nem tudo foram altos, mas é impressionante que este homem é o empresário de si próprio, o gestor da sua própria imagem, o homem que compoe as suas músicas, o homem que sobe ao palco, toca e canta, e um devoto e preocupado pai de familia. Gostei deste Quim Barreiros para além da música dos CD e das noites académicas da Guarda, que recordo com saudade...

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

António Barreto! Retrato Social...

Verdadeiro serviço público, dos melhores programas da RTP desde há muitos anos... Um verdadeiro retrato do nosso país... A ver, reter e rever! A procurar no sitio RTP.

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Museu Salazar. O desafio Santacombadense.

Ao ler o Público verifico o cada vez maior interesse da comunicação social, pela vontade de Santa Comba Dão em ver concretizado o Museu Salazar.
O concurso Grandes Portugueses está a ser bem aproveitado pela Câmara de Santa Comba Dão, que de forma determinada, tem tentado concretizar esta ideia, promovendo um espaço que conte as façanhas deste ditador que conduziu este nosso país, durante largos anos.
Achei engraçado a expressão de um velho municipe, quando afirmou "Já que nunca fez nada por nós enquanto esteve no poder, ao menos que o faça agora!"
Não tenho dúvidas que é importante para Santa Comba a construção do Museu, mas tenho pena, que no meu concelho, Carregal do Sal, não veja a mesma paixão e determinação para que seja reconstruida a Casa do Passal, a Casa de Aristides Sousa Mendes (esse sim, um heroi) e onde uma mensagem mais importante haverá a transmitir do que a mensagem daquele período Salazarista, de um Portugal onde ter a quarta classe era escola a mais, de um Portugal que vivia de Fátima, Eusébio e Amália, e de vistas bem apertadas.
Que pena tenho, desta Fundação Aristides Sousa Mendes não tenha mais iniciativa e mais arrojo, já lá vão oito anos, oito anos! e ainda nem projecto há!
Enfim, começo a sentir-me a solo! Na vontade e no incómodo que o estado daquela casa me causa.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Camacho. Primeiro dia no Benfica!

Novamente Camacho no Benfica, espero que consiga ser Campeão, pelo menos na primeira fase vai ter o carinho e apoio dos adeptos, e mais receitas de bilheteira para os cofres da SAD, a amizade com Vieira nao deixará de ser também refém dos resultados. Mais uma vez ficou provada que a diplomacia com os jornalistas pode servir para que estes se tornem menos agrestes, até lhe perdoaram o lapso de ter dito que tinha deixado o Benfica Campeão, quando nos deixou em segundo lugar e com uma taça de portugal. Entrou bem, que saia ainda melhor!

Entrevista do Prof. Marcelo no Diário Económico

Excelente a leitura matinal da entrevista do Prof. Marcelo Rebelo de Sousa ao Diário Económico, como sempre em grande forma! Um apoio disfarçado na recondução de Marques Mendes na liderança do PSD, e um prognóstico de uma candidatura presidencial de Durão Barroso ou Santana Lopes a Belém daqui por 8 anos, admitiu poder ser ele próprio... Ainda falta tanto tempo!

Miguel Frasquilho toca na ferida!

Muito bem o Fiscalista Miguel Frasquilha na ESAI, quando afirma que o sistema fiscal português é pouco competitivo, complexo e ajuda a promover a evasão.
O promotor perde demasiado tempo, e dispende demasiadas energias para conseguir perceber, o emaranhado legal do nosso sistema fiscal, para além da penalização que existe à chegada, com a cobrança de impostos demasiado altos.
Em Portugal é contrariada a tendência de outras economias, onde se procura simplificar e reduzir taxas.
Os impostos elevados fazem com que mais gente tente fugir, ao contrário do que acontece se tivermos impostos mais baixos, em que existe uma redução da evasão, e faz com que exista uma possibilidade efectiva de aumento de receita fiscal.
Apesar do diagnóstico, em que se percebe que a questão fiscal é um meio muito eficiente de atrair investimento, continua a ser bem clara a falta de vontade politica em modificar o que quer que seja.
Pois é Miguel, talvez em 2009 se perca a inércia, certamente pelos motivos errados!

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Variante a Cabanas de Viriato

Foi hoje, 20 de Agosto de 2007!
Começa a cumprir-se um sonho de décadas, com o inicio das obras da empreitada de Construção da Variante a Cabanas de Viriato.
É uma obra que começa 347 dias após o lançamento do concurso em diário da república (reclamações de concorrentes!) e mais de três anos depois de eu ter acordado com o Sr. Arsénio os movimentos de terras para abertura daquele troço, na altura para permitir o desvio do trânsito durante o Carnaval daquele ano.
Estes três anos que passaram só confirmaram a necessidade daquela intervenção, por lá passavam já autocarros escolares, viaturas pesadas mas também ligeiras, que apesar das dificuldades do pavimento (em saibro irregular) tentavam mais rapidamente chegar à zona sul da vila.
É o maior investimento publico na nossa freguesia, um sonho que começa a tornar-se realidade, no final estará concretizado um dos grandes objectivos deste mandato.
É certamente um dia feliz, para este Presidente da Junta!

UM RESISTENTE DO ESTADO NOVO!

Será legitimo ao homem que conta as suas memórias, introduzir nos seus próprios relatos impressões pessoais, afectos, imagens, momentos de um tempo passado ? Estou certo que sim, uma vez que qualquer pessoa quando parte para a leitura de uma autobiografia ou memórias, sabe que aquilo que vai ler é objectivamente uma perspectiva pessoal, quer de um percurso de vida quer de momentos que fizeram a história desse tempo.

Aquilo que não é aceitável é adulterar a história, adulterar os factos, ainda mais usando afirmações de outros de quem já apenas existe memória, recontando uma história, moldando-a aos ideais então defendidos, tomando um papel de verdadeiro criador de histórias.

Foi efectivamente isso que aconteceu com uma infeliz passagem das Memórias do Prof. José Hermano Saraiva (página 17 do 5.º Volume – 6.º Década - Anos 70 – I Parte -Em Brasilia editado com o Semanário SOL) onde é relatada uma conversa com o Dr. Luis Filipe Leite Pinto (Subsecretário de estado da educação nacional entre os anos de 1946 e 1949), uma mensagem inaceitável e qualificável apenas como vinda de um resistente salazarista, uma vez que emana da mais fiel propaganda de um regime vencido pela revolução de Abril de 1974, e que atenta contra a memória do nosso herói Aristides de Sousa Mendes, assim escreveu o Prof. Saraiva:

"Fala, a propósito, na operação de salvamento dos refugiados republicanos espanhóis e dos judeus que, no início da Segunda Guerra Mundial, se acumulavam na fronteira de Irun, na ânsia de salvar as vidas. Vieram embarcados nos vagões da Companhia dos Caminhos de Ferro da Beira Alta, que iam até Irun carregados de volfrâmio, e voltavam a Vilar Formoso carregados de fugitivos. A operação foi mantida rigorosamente secreta porque as autoridades espanholas não consentiriam. Segundo um protocolo firmado pelas autoridades ferroviárias dos dois países, os vagões deviam circular selados, quer à ida quer à vinda. Um dos que assim salvaram a vida foi o Barão de Rotschild. O embaixador Teixeira de Sampaio confirmou-me, mais tarde, esses factos. O salvamento de 30.000 refugiados deu-se ao mesmo tempo que o cônsul de Portugal em Bordéus, em cumplicidade com dois funcionários da Pide, falsificava algumas centenas de vistos, que vendia por bom preço a emigrantes com dinheiro. Um dos que utilizaram esta via supôs que todos os outros vieram do mesmo modo - e assim nasceu a versão, hoje oficialmente consagrada, de que a operação de salvamento se deve ao cônsul de Bordéus, Aristides de Sousa Mendes. Este, homem muito afecto ao Estado Novo, nem sequer foi demitido, mas sim colocado na situação de aguardar aposentação. Os seus cúmplices da Pide foram julgados, condenados e demitidos".

Não são novos estes devaneios do Prof. Hermano Saraiva sobre esta matéria, e confesso que até esperava uma referência a Sousa Mendes nestas suas memórias, depois da contundente e determinada exposição do Dr. Fernando Nobre no programa em que foi promotor da proposta de Aristides Sousa Mendes para O Maior Português de Sempre, embora ao mesmo tempo esperasse que o debate desse dia tivesse servido para o Professor Saraiva ter compreendido que as fantasias e a propaganda salazarista não pegavam num tempo de liberdade, que permitiu que nesse dia fosse contada toda a verdade perante milhares de portugueses.

A saber,
Corria Maio de 1940 e em plena segunda guerra mundial, a França era invadida pela Alemanha Nazi, tendo milhares e milhares de refugiados se concentrado no sul de França, fugindo das tropas de Hitler e dos campos de concentração, o cônsul-geral de Portugal em Bordéus era na altura Aristides de Sousa Mendes, que ao emitir vistos estaria a permitir a fuga dos refugiados para Portugal e daí para os Estados Unidos.
Sousa Mendes já tinha sido descoberto a emitir alguns vistos, o que contrariava a circular n.º 14 do Governo de Oliveira Salazar. O teor dessa circular era claro - afirmava a proibição da emissão de qualquer visto a estrangeiros com nacionalidade indefinida, contestada ou em litigio, apátridas, portadores de passaportes nanson, judeus expulsos dos países da sua nacionalidade ou daqueles de onde provêem, isto é, os refugiados que Aristides Sousa Mendes pretendia salvar.

Sousa Mendes emitiu os primeiros vistos ao Arnold Wiznitzer e Norbert Gingold, tendo este acto resultado num apertado controlo dos seus movimentos por parte da policia politica e num aviso inequívoco do governo em carta oficial datada de 24 de Abril de 1940:
A repetição de factos desta natureza, lesivos da disciplina é altamente prejudicial para o serviço, para os interessados e sobretudo para a indispensável dignidade da função consular.
Fica por isso V.sa advertido que qualquer nova falta ou infracção nesta matéria será havido por desobediência e dará lugar a procedimento disciplinar em que não poderá deixar de ter-se em conta que são repetidos os actos de V.Sa, que motivam advertências e repreensões.

Com a chegada dos refugiados a Bordéus e com a França derrotada pela rapidez motorizada do avanço alemão, chegam ao consulado de Portugal de Bordéus por dia centenas de pedidos de vistos, as pressões exercidas sobre Sousa Mendes eram enormes e ele começou a ceder, tendo passado alguns vistos em finais de Maio de 1940, tendo havido registos de três polacos apanhados pela policia politica, na altura liderada pelo Capitão Agostinho Lourenço, que exasperado com as repetidas infracções de Sousa Mendes escreveu pessoalmente a Salazar, que a 29 de Maio emitiu um despacho para que fossem realizadas as averiguações necessárias com vista à instauração de um processo disciplinar.

Os conturbados dias do inicio do mês de Junho de 1940, levaram a que milhares de refugiados se instalassem à porta do seu consulado de Bordéus no Quai Louis XVIII, tendo Sousa Mendes vivido o maior de todos os dilemas da sua vida: - Salvar aqueles milhares de pessoas de uma morte certa, desrespeitando as ordens de Salazar e sujeitando-se à implacável severidade da punição do ditador português, que certamente se traduziria no fim de uma carreira de mais de trinta anos, e a resignação a um resto de vida ruinoso com o agudizar das já existentes dificuldades? Ou então, virar a cara para o lado, e assumir também a posição de Salazar, de neutralidade perante a guerra, que neste caso concreto, o que seria era uma posição de apoio a Hitler?

A 16 de Junho de 1940, na “Capital de la peur” – Capital do Medo em que se transformara Bordéus, Sousa Mendes decidiu entregar vistos a todos aqueles que o pedissem: “A partir de agora, darei vistos a toda a gente, já não há nacionalidade, raça ou religião!”. Com a ajuda dos seus filhos, sobrinhos e do rabino Kruger, Sousa Mendes assina passaportes, carimba vistos, usando todas as folhas de papel disponíveis.

Trabalhou durante três dias e três noites em Bordéus, tendo posteriormente se deslocado a Bayonne (em condições perigosíssimas!) onde emitiu ainda mais vistos.

Estima-se que cerca de 30 000 vidas terão sido salvas. Foram vistos para a vida, Sousa Mendes afirmou mais tarde: “Era realmente meu objectivo salvar toda aquela gente!”

Aristides de Sousa Mendes regressou a 08 de Julho de 1940 a Portugal, para ser punido por Salazar com a privação do seu emprego diplomático por um período de um ano, reduzindo em metade o seu salário, antes de o aposentar; para além disso, é proibido de exercer a profissão de advogado e é lhe retirada a licença de condução por ter sido emitida no estrangeiro.
Após a demissão, Aristides de Sousa Mendes e a sua numerosa família sobrevivem graças à solidariedade de diversas proveniências, é conhecida a ajuda de pessoas humildes em Cabanas de Viriato e também da Comunidade Judaica de Lisboa, que facilitou a alguns dos seus filhos os estudos nos Estados Unidos, dois deles participaram no desembarque da Normandia.

Em 1945 o Dr. António Oliveira Salazar congratulou-se por Portugal ter ajudado os refugiados, numa tentativa de promover a imagem externa do país perante os países aliados, é conhecida afirmação: “Qual país mais generoso, que foi capaz de receber estes milhares de refugiados”.
O final de Sousa Mendes foi ainda pior: - Venda de bens, morte de sua esposa D.ª Angelina em 1948, emigração dos filhos para o estrangeiro.
Sousa Mendes faleceu muito pobre a 03 de Abril de 1954 no Hospital da Ordem Terceira em Lisboa.

Esta é a verdadeira história, a história de um homem bom, de um exemplo de solidariedade e de compaixão humana, um homem que decidiu “estar bem com Deus contra os Homens, do que com os Homens contra Deus”.

Aristides Sousa Mendes como qualquer outro mortal cometeu certamente erros, cometeu faltas, pecou como todos os mortais; mas é essa condição de ser humano, que faz com que a dimensão da sua consciência naqueles dias de Junho de 1940, torne todo este acto ainda maior, e que faz com que ainda hoje os seus valores e a sua condição de herói, seja contemplada um pouco por todo o Mundo.

É esta a verdade! É esta a verdade que o Prof. Hermano Saraiva facilmente perceberia com alguma investigação das provas documentais existentes, que como alegado Historiador certamente necessitaria de consultar, dos testemunhos existentes, dos diversos relatos, isto é, de tudo aquilo que os salazaristas esconderam durante anos.
Uma coisa tenho por certo, o acto de Sousa Mendes, não é mesmo compatível com o país
silenciado, iletrado e beato do Estado Novo.






domingo, 19 de agosto de 2007

Bem-vindos!

Sejam bem-vindos ao meu blog!

Aqui deixarei o meu testemunho, aqui deixarei a minha opinião sobre os mais variados assuntos, que este seja também um espaço de debate, de partilha e de interacção com todos os que queiram participar.

Obrigado