terça-feira, 30 de outubro de 2007

A nossa energia!

A NOSSA ENERGIA!

Onze anos depois de Foz Côa, o Governo anuncia a construção de dez novas barragens, uma medida fundamental.
Nos anos 40, com o cumprimento do Plano Nacional de Electrificação, foram construídas as nossas barragens, que fizeram da engenharia portuguesa a melhor na sua construção e monitorização.
O aproveitamento dos nossos rios caudalosos para gerar a energia necessária para o abastecimento energético do país, observou uma visão de futuro, que não mereceu nas gerações que se seguiram o acompanhamento devido, tendo Portugal entrado no século XXI aproveitando apenas 43% do seu potencial de geração de energia hídrica.
Hoje, os problemas multiplicaram-se em diversos planos.
Por um lado vimos aumentar a nossa factura energética dos 1520 milhões de euros em 1992 para 5220 milhões de euros em 2005, um aumento de 362,8% em dez anos (o valor do Aeroporto que precisamos de construir!), tendo em conta que 30% da energia produzida vem das barragens que hoje temos em funcionamento, facilmente concluímos que a inércia de muitos anos, impediu que não fosse aproveitado o enorme potencial que os nossos rios nos ofereciam.
A construção das novas barragens, irá reduzir a nossa necessidade de importar energia, sendo um esforço nacional que deve ser aplaudido, ainda mais tendo em conta que este tipo de intervenção não estará na agenda europeia, uma vez que os principais países exploram já os seus recursos.
Mas a concretização desta intervenção não é, infelizmente, o momento em que são resolvidos todos os nossos problemas energéticos.
A questão é mais profunda.
Com o desenvolvimento tecnológico, desenvolvemos novos padrões de vida, o modo como vivemos, as indústrias que construirmos, as máquinas que inventámos, fizeram com que em cada ano que passou nas últimas quatro décadas, o nosso consumo de energia tivesse aumentado em aproximadamente 5%.
O consumo de energia em Portugal é absorvido em 18% pela electricidade, 46% pelo calor e 36% pelos transportes.
Este quadro revela uma grande dependência do petróleo, que faz com que por cada dólar que aumenta o barril de crude, Portugal perca mais 204 milhões de euros por ano.
Importa aqui, tentar introduzir novas formas de produção de energia, as renováveis – com o objectivo de reduzir as emissões de Dióxido de Carbono (CO2) e a utilização das energias fósseis (também aqui podemos incluir o Gás, cujo fornecimento tem origem em apenas três países: Rússia, Argélia e Noruega – um aspecto muito importante também no quadro comunitário uma vez que a Europa Central depende muito da Rússia, que tem tentado manter a União Europeia como sua “refém” utilizando este recurso como arma.)
Outra das questões que deve ser considerada, é a eficiência energética dos nossos edifícios, uma vez que representam 60% da energia consumida no país.
O nosso parque habitacional cresceu mais de 80% nos últimos quarenta anos, e embora o RCCTE 1990 (Regulamento Térmico dos Edifícios) tenha trazido importantes melhorias, começando a exigir a utilização de isolamentos térmicos nas construções, nos últimos anos foi disseminada a utilização de novos equipamentos nos nossos edifícios, autênticos predadores de energia, utilizados para fazer a sua climatização.
Em 2006 entrou em vigor o novo RCCTE (embora nada abone a forma impreparada com foi aplicado, sem a necessária qualificação de técnicos e peritos), este veio obrigar a um conjunto de melhorias na construção dos novos edifícios, trazendo novas e pertinentes exigências, premiando os ganhos solares, a utilização de energias renováveis e aumentando o rigor na forma de efectuar os isolamentos; uma das exigências deste novo regulamento, é a utilização de painéis solares como fonte de energia, o que de facto era um lapso incrível.
Sendo um país com tanto Sol, apenas instalávamos por ano 20.000 m2 de painéis solares contra os 400.000 m2 da Grécia, e os 1.000.000 de m2 da Alemanha.
Com este novo regulamento, iremos melhorar estes números, pena é que as melhorias surjam apenas em 2008.
No entanto, muitos passos podem ainda ser dados, porque não estabelecer medidas que estimulem a micro-geração, como a promoção da colocação de painéis fotovoltaicos ou pequenas torres eólicas, que permitirão produzir a energia necessária para os edifícios, compensados também pelo pontual fornecimento de energia da rede.
No sector dos Transportes, porque não estimular mais a utilização de biocombustíveis ou dos veículos híbridos, através da concessão de benefícios fiscais ou apoios ao investimento.
Outra das oportunidades é o Eólico, somos um país também de vento, no entanto em Portugal existe apenas 7,7 % de penetração deste tipo de energia, contra os 9% de Espanha, também aqui há um caminho a trilhar.
Mas uma das questões que muito interesse nos deve suscitar, é o Projecto da Enersis na Póvoa de Varzim, o primeiro Parque Mundial de Aproveitamento de Ondas.
O Mar é uma questão que não pretendo desenvolver neste artigo, mas sucintamente posso perguntar-me a razão porque é que nós Portugueses, enevoados pelo necessária e fundamental construção Europeia, temo-nos esquecido da nossa vocação Atlântica e das nossas ligações com África e com a América (principalmente o Brasil e os Estados Unidos), parece que virámos as costas para aquele Mar para onde partimos à quinhentos anos, em descoberta de novas terras e horizontes.
Também na questão da energia o Mar é uma oportunidade, tendo em conta a nossa extensa faixa costeira, teremos mesmo de no futuro estudar com mais profundidade este projecto, podendo aqui termos uma vantagem diferenciadora relativamente a outros países.
O potencial de produção de energia ao nível das ondas do mar é da ordem dos 400 000 KW/m2, que confrontam com os 40 KW/m2 do Sol e os 400 KW/m2 da Eólica.
Estima-se que nos próximos 20 anos, a procura de energia suba 30%. E este é um elemento essencial que deve nortear o debate sobre as questões energéticas.
Embora esta seja uma questão planetária, que deve ser discutida no Mundo, não podemos nós deixarmos de a discutir numa escala mais local, até porque vimos nos últimos quinze anos a nossa emissão de CO2 per capita subir 50%, sendo já de todo impossível cumprir as metas do protocolo de Quioto para o período de 2008-2012.
É também por isso, que o estado deve repensar o seu papel.
Portugal nunca definiu concretamente uma política para o ambiente (onde esteja incluída naturalmente a questão da nossa energia), penso que é tempo de o fazermos.
A política de ambiente tem sido difusa, variando com os governos e mesmo com os ministros. Não se define um fio condutor, uma estratégia que dure uma geração, um dos governos do Eng. António Guterres chegou mesmo a separar o Ambiente do Ordenamento do Território.
Continua a residir em Portugal o velho obstáculo em criar de forma efectiva políticas de regime, que façam com que definitivamente deixemos de ser um país adiado e sem esperança.
E isso vale também para esta área, onde são conhecidas medidas avulsas, pouco relacionadas entre si.
É por isso tempo de enunciarmos uma equação, a da energia.
Ao resolvermos esta equação, temos de ter a capacidade de calcular incógnitas, como as condicionantes ao crescimento do PIB, a redução das emissões, a manutenção dos índices de qualidade de vida, a promoção da nossa competitividade.
É uma equação difícil, que exige lideranças fortes e um novo papel do estado.
Não se pode contar apenas com as empresas, é certo que o mercado deve assumir a sua função de motor das iniciativas, mas o estado deve regular e criar condições para que essas iniciativas aconteçam, deve dizer quais são as regras, quais são as orientações; até porque a produção de energia de fraco impacto ambiental revela também muitas oportunidades do ponto de vista económico.
Apostar cada vez mais na via fiscal para promover a utilização de tecnologia amiga do ambiente; definir programas que incentivem a realização de projectos que formalizem medidas concretas (acompanhando as indicações do QREN relativa aos ganhos ambientais); apostar também na promoção de bons exemplos nos investimentos efectuados directamente pelo estado (porque não seguir nos edifícios públicos a construir, o exemplo do INETI em que 75% da energia consumida é gasta no próprio edifício).

Estimular a poupança junto das pessoas é também importante, custa sempre muito menos poupar qualquer KW de energia do que produzi-lo.
Não podemos continuar a progredir, aumentando como tem acontecido até aqui, os consumos de energia.
O Aquecimento global, o cumprimento dos objectivos de Quioto, são para levar cada vez mais a sério. Começa a ser uma questão de futuro…
Caso a nossa equação não consiga ser resolvida, teremos mesmo de partir para a última hipótese, que a mim, muito me assusta.
Falo do Nuclear.
A energia atómica é limpa, não emite dióxido de carbono, e por isso a questão da emissão de gases com efeito de estufa deixa de ser colocada.
Não existe qualquer acidente grave conhecido no mundo ocidental, havendo já uma central nuclear em Espanha, a uma distância menor do nosso país que aquela que separa as cidades de Lisboa e Porto.
O Nuclear resolveria também a questão da nossa dependência energética, ainda mais tendo nós a matéria-prima urânio no nosso sub-solo.
Mas “tremo” ao pensar no Nuclear, mesmo sendo remota a possibilidade de um acidente, ainda há essa possibilidade, e os vestígios demoram milhares de anos a desaparecer.
Temos o dever de fazer tudo, antes de equacionar esta possibilidade.
As próximas gerações merecem esse nosso esforço.



Ricardo Nuno Seabra de Campos.
Cabanas de Viriato, 26 de Outubro de 2007.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

DESTAQUES da Entrevista ao Jornal Aristides.

DESATAQUES - Entrevista ao Jornal Aristides
*
(...) o balanço do primeiro mandato já foi feito aquando das eleições autárquicas de 2005, tendo a nossa reeleição acontecido com uma demonstração de satisfação e confiança por parte das pessoas de Cabanas de Viriato e Laceiras. Nessa altura fizemos um balanço do que estava feito e do que havia a fazer, sentia que o trabalho estava a meio e fazia sentido acabar uma missão, que tinha sido iniciada em 2002 quando tomámos posse com uma determinação muito grande em recuperar o atraso que se verificava relativamente a outras freguesias, que se tinham desenvolvido mais nos anos que tinham passado. Fizemos projectos, negociámos e procedemos a
alargamentos em arruamentos como as Cancelas e o Ribeiro do Fojo, pavimentámos os pátios e pequenas ruas da freguesia, as obras do Contrato de Aldeia beneficiaram qualitativamente toda a envolvente à casa onde viveu o nosso herói Aristides de Sousa Mendes, e foi possível também fazer o arranjo urbano em frente ao restaurante Cabana do Viriato onde hoje está erigido o monumento de tributo a Júlio de Barros Mendes, numa negociação extremamente difícil onde quase foi perdida a comparticipação comunitária devido ao diferendo jurídico que teve de ser resolvido amigavelmente com cedências de parte a parte; o Polidesportivo é uma realidade
quase pronta a ser inaugurada, e as Laceiras, votada ao esquecimento durante tantos anos, connosco voltou a estar na ordem do dia, as ruas do centro da povoação foram repavimentadas bem como a Travessa da Associação e a Rua 28 de Maio, fizemos as infra-estruturas de águas e esgotos e pavimentou-se a Rua de Santiago e o Poisado onde os trabalhos foram concluídos há poucos dias, o novo Sistema de Abastecimento de Água aos Fontanários através do Poço das Cavadas estará em carga dentro de um mês, enfim, muita coisa mudou na nossa freguesia nestes últimos anos, o balanço é necessariamente positivo, todo o trabalho realizado resulta de uma união de esforços com a Câmara Municipal, mas é sem dúvida o que está por fazer que está no centro das nossas atenções, existem ainda muitas necessidades que não podem deixar de ser satisfeitas, é aí que centramos as nossas energias e o nosso empenho, há desafios que temos de vencer até 2009.
"
(...)

" Existem dificuldades a vários níveis, a primeira delas está relacionada com um problema estrutural, um problema que diz respeito a praticamente todas as freguesias, um problema de autonomia. Eu costumo dizer que normalmente os nossos problemas são demasiado caros, para orçamentos demasiado magros, que é o mesmo que dizer que não é possível fazer “morcelas sem sangue”, e muitos dos problemas demoram mais tempo a resolver não por falta de diligência, de dinâmica, mas sobretudo por falta de recursos. Penso que deve haver uma grande reflexão
sobre esta questão, não se podem transferir só competências, só responsabilidades, só deveres para as Juntas de Freguesia, muitas delas com as quais até concordo, sem que se transfiram também mais recursos para que as respostas possam ser dadas. A grande dificuldade é essa, a dificuldade em aproveitar a grande proximidade que temos das pessoas e o maior conhecimento dos seus problemas e das suas necessidades. Existem com toda a certeza mais entraves, mas elegeria este como o principal, a dependência excessiva de outras entidades para fazer face a problemas, que seriam facilmente resolvidos com um pouco mais de apoio do que aquele que
nos é dado.
"

(...)

"
Aquilo que mais gosto de ouvir e sentir é a admiração espontânea, verdadeira, que se observa nas palavras daqueles que nos visitam e que ficam também a gostar da nossa terra. Cabanas de Viriato é uma freguesia que está bonita, que procuramos manter sempre limpa, e que não é muito difícil de caracterizar; no nosso caso, podemos afirmar que do ponto de vista urbanístico conseguimos crescer sem que se tenham verificado até hoje os atentados que por aí vão proliferando, penso que devemos manter-nos atentos neste capítulo; considero que esta nossa freguesia tem uma identidade muita própria, temos auto-estima, gostamos das nossas coisas,
gostamos da nossa Filarmónica e dos nossos Bombeiros, gostamos do nosso Carnaval que hoje tem de ser partilhado com muitas pessoas por todo esse Portugal, gostamos do nosso clube de futebol que apesar da falta de apoios a que tem sido submetido subiu de divisão e mantém três equipas e cerca de setenta atletas, a maior parte jovens, que nos seus tempos livres ali praticam desporto; gostamos das nossas Associações porque fazem com que a nossa vida comum seja mais rica e nos aproxime mais; penso que somos uma verdadeira comunidade, onde nem todos
pensamos da mesma maneira, mas temos em comum um amor muito próprio por sermos daqui, penso que é isso que nos caracteriza, um espaço geográfico enquanto freguesia que queremos moderno, ordenado e onde todos possamos viver com qualidade de vida. Quanto à localização, penso que estamos bem localizados, gosto da expressão do Presidente da Câmara, quando diz que estamos no centro do mundo, penso que é uma expressão feliz, estamos mesmo muito próximos de tudo e as pessoas também chegam facilmente até nós através das boas acessibilidades que temos. Relativamente ao número de habitantes, penso que irá crescer, existe hoje muita oferta em termos imobiliários na freguesia, as urbanizações que continuam a
ser edificadas e a necessária promoção dos respectivos empreendimentos a ser feita, a construção das infra-estruturas que ainda faltam construir, a projecção que a freguesia terá após a construção da Fundação Aristides Sousa Mendes e do Museu do Holocausto e a consequente afluência de pessoas fará com que sejamos mais conhecidos e visitados, o comércio sentirá isso mesmo, lembro o que se passou aquando do inicio de actividade da Escola BI Aristides Sousa Mendes, penso que todos estes passos depois de dados, farão da nossa freguesia um sitio ainda mais atractivo para viver.
"
(...)
"
Existem várias carências neste momento que não podem deixar de ser combatidas. Penso que não podemos deixar passar mais tempo com a Casa do Passal nas condições em que está neste momento. O seu estado de ruína inquieta-me e incomoda-me bastante, já passou tempo de mais e os passos dados foram muito curtos e discretos, há anos que ouvimos dizer que se está a fazer um projecto e ainda não passámos disso, é preciso que sejam formalizados passos e que a obra idealizada para aquele espaço comece efectivamente a crescer. Aristides de Sousa Mendes deixou-nos um legado enorme, o seu exemplo de humanismo, solidariedade e compaixão humana ecoará para sempre em todos nós, é um conterrâneo nosso que temos que partilhar com o mundo, e que Portugal enquanto nação não pode deixar de considerar como um dos heróis da sua história, dar a conhecer o seu gesto e os seus valores deve ser um imperativo nacional, e isso ganhará outra forma se for reconstruída a sua casa que é uma das ligações física que temos à sua vida, ao mesmo tempo que penso que se estará a reparar parte da injustiça cometida, penso
que este é um problema que deve merecer o envolvimento de todos, já transmiti esta minha preocupação à Fundação e espero vivamente que exista também um envolvimento mais efectivo do Município nesta questão, porque esta apesar de ser uma das carências da freguesia, é consequentemente também uma grande carência do concelho. Outra das carências está relacionada com a necessidade de criação de um parque industrial para pequenas empresas, a sua localização foi definida (estrada que liga Cabanas de Viriato a Sobral) e existem pequenos e médios empresários dispostos a investir na criação de novos espaços e que estão um pouco na
expectativa da evolução deste projecto, concordo inteiramente na criação de plataformas para receber grandes investidores que geram novos postos de trabalho e na politica fiscal que o Município tem adoptado no sentido de não deixar fugir esses investimentos, mas é importante também olhar também para este sector da nossa economia local e criar uma plataforma para alojar estas unidades de menor dimensão, não é necessário um grande investimento devido à existência já no local de parte das infra-estruturas necessárias e o benefício é certamente muito maior. Existirão certamente outras carências as quais acompanhamos com exigência, a
Extensão de Saúde de Cabanas de Viriato, o novo Quartel dos Bombeiros, a Variante cujas obras serão iniciadas em breve e algumas das melhorias que nós colocámos no nosso programa de governo e pelas quais nos vamos bater, não faz sentido que em zonas residenciais como o Seixal, Ribeiro do Fojo, Cancelas, as Cavadas nas Laceiras as pessoas que como todas as outras pagam os seus impostos, continuem a chegar às suas casas em ruas de saibro ou toutvenant, com lama no inverno e pó no verão, são trabalhos prioritários que não podem ser adiados muito mais tempo.
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(...)
"
As pessoas podem expor os seus problemas de diversas formas, a melhor naturalmente é pelo contacto directo com o executivo, e para isso temos o dia de quinta-feira a partir das 17 horas que permite às pessoas expor os seus problemas aos três elementos da Junta; a outra forma é expor os problemas por escrito e para isso foi criada em 2002 a denominada “Folha do Freguês”, onde as pessoas exprimem o seu problema e deixam os seus dados, ao fazer a analise dos problema exposto, e após a quase sempre necessária visita ao local, faço um despacho no
sentido de resolver o problema, ou através dos nossos serviços quando tal é possível ou remetendo para o senhor Presidente da Câmara no sentido de obter colaboração dos serviços do Município; outra das formas e a mais comum, é quando andamos no terreno a acompanhar os trabalhos ou a programar as actividades, onde muitas vezes as pessoas vêm até junto de nós, informando de situações que não estão tão bem, e desta forma colaboram também connosco na resolução dos problemas, fazendo com que mais rapidamente possam ser detectados e resolvidos, penso que as pessoas não têm dificuldade em aceder a nós, recebemos toda a gente em qualquer lugar, somos pessoas de fácil.
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(...)
"
São problemas diversos, que vão desde o caminho que está em mau estado, da lâmpada do candeeiro publico que está apagado, do aqueduto que está entupido ou então para expressar pedidos como a pavimentação da rua, o alargamento, a colocação de nova iluminação pública, pedidos que muitas vezes não podemos resolver, mas os quais expomos à Câmara acompanhado do nosso parecer sobre o assunto.
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(...)
"
Aos habitantes de Cabanas uma mensagem de esperança e de confiança no futuro. O país não atravessa um bom momento e isso reflecte-se também na vida das autarquias, e faz com que os desafios se tornem ainda mais difíceis. Mas seremos fortes e determinados a cumprir o projecto iniciado em 2002, a nossa freguesia vai continuar o seu trajecto de modernização e de melhoria das condições de vida de todos os que aqui vivem e trabalham. Aos estudantes, uma palavra de incentivo, aproveitem essa fase bonita que estão a viver nas vossas vidas, brinquem, corram,
riam, aproveitem a liberdade do recreio e as iniciativas que a vossa Escola vai fazendo para fazerem e aprofundarem amizades que se vão manter pela vida fora, mas parem um pouco e lembrem-se que também vocês têm uma missão, também já há um lado sério e responsável nas vossas vidas, e esse lado tem a ver com a missão de aprender, de ouvir os professores, aprender o que eles ensinam, fazer sacrifícios para que os trabalhos fiquem todos prontos, e sejam bons uns para os outros, porque aquilo que eu acho, é que na vida as pessoas privilegiadas são aquelas que se esforçam mais e que colocam amor em tudo aquilo que fazem. A vida compensarnos-
á!"

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Zoomarine. Continua em grande forma!

Excelente dia no Zoomarine em Guia - Albufeira. Foi a terceira vez.
Em 1991, ainda em criança com os meus pais, em 2003 com a namorada e em 2007 já com a nova família.
O Zoomarine continua em grande forma, interacção e espectaculo com golfinhos, espectáculos de grande qualidade de focas, leoes marinhos, aves rapina, aves tropicais, e o contacto com todo um conjunto de espécies que normalmente só podemos ver no national geographic. Estive a cerca de 1,5 metro de um Corcodilo a ser alimentado (com uma forte rede pelo meio!), nunca pensei estar tao perto de um animal daqueles.
Bom também foi experimentar o Cinema 4D, uma experiência que nunca tivera, e a bela mensagem sobre este problema da destruição da floresta e do aquecimento global. Uma questão de futuro, que nos toca a todos!
Um bom dia de férias!!!

PPD/PSD - . Aqui fica o registo...



(...)
é importante a análise sobre este último ano e meio da vida politica portuguesa e o respectivo enquadramento do papel do PPD/PSD.
Este partido é uma criação original da democracia portuguesa, marcado profundamente pelo pensamento politico de Francisco Sá Carneiro e Anibal Cavaco Silva, que enquanto lideres marcaram de forma indelével a história do Portugal Democrático, o primeiro na consolidação da democracia e o segundo no crescimento e modernização do país.
Sá Carneirismo e Cavaquismo passaram então a ser heranças para todas as lideranças, uma vez que foi sobre eles que recaiu a criação de um PPD/PSD com uma imagem mais ou menos estabilizada junto do eleitorado, através do trabalho competente e determinado na acção governativa.
Mas se quisermos estudar a ligação deste partido ao eleitorado português para percebermos a dificuldade dos próximos dois anos, penso que a reflexão deverá ser: Será Mendes ou Menezes capaz de unir um Partido na oposição ao Governo de Sócrates ? Será Mendes ou Menezes capaz de virar o Partido para o exterior e menos para questões internas ? Penso que é aí que vai ser encontrada a resposta, porque sempre que ao longo dos seus 33 anos de história, o PPD/PSD conseguiu resolver internamente as suas questões, o eleitorado português votou maioritariamente nesta força politica. Foi assim com Sá Carneiro, Cavaco Silva e mais tarde com Durão Barroso. As próximas directas no PPD/PSD serão esse momento, um momento de clarificação, uma oportunidade de resolver conflitos e dar voz aos militantes, para que essa irreverência tão intrinseca a este partido, possa ser voltada para Sócrates e para o Partido Socialista. Só assim, o próximo lider poderá ser um general com soldados, só assim o PPD/PSD poderá ter esses soldados voltados para o seu verdadeiro adversário, e menos para as guerrilhas internas esterelizantes.
Penso que nesta fase, Portugal precisa dessa oposição, precisa desse PSD resolvido e pronto para constituir alternativa, e a desempenhar melhor este mandato de oposição - tão importante nas democracias, principalmente numa fase em que os governantes responsáveis terão de começar a perceber que o dialogo com as outras forças politicas é fundamental na criação das politicas de regime, porque Portugal nao pode perder mais tempo a criar politicas de um ministro, de um governo .. enfim, politicas de 20 meses, quando efectivamente o que precisavamos de ter era politicas para 20 anos. Enquanto isso nao for conseguido, seremos um pais adiado.
(...)

Diana. 10 anos de saudade!

Da princesa de olhar doce e cativante, princesa de gales, de Inglaterra e do Mundo, dez anos de saudade.
Excelente o documentário televisivo da SIC que me acompanhou em duas madrugadas destas férias, há muito que um programa televisivo nocturno não me desviava a atenção das leituras noite dentro.
Diana foi uma lutadora, bem sucedida nas causas que defendeu e às quais conseguiu dar maior visibilidade, na decência das suas intenções e na integridade dos valores, foi pelos que menos tinham e mais precisavam que tentou orientar a sua capacidade única, de cativar a atenção da imprensa e do mundo, conseguindo com isso despertar sensibilidades e conquistar recursos.
Os holofotes constantemente acesos, a atenção incansável dos flashes, foi também o reverso da medalha, com uma intimidade devassada, presumida e comentada.
Dez anos depois, o mundo continua a tentar desvendar o seu mito, como uma vela que o vento ainda não apagou.
Lembro-me de com 18 anos ter gravado numa velha cassete VHS que ainda hoje guardo, a sua ida a Angola numa acção da Cruz Vermelha, e de ter conhecido através dessa reportagem a realidade do problema das minas, que continuava a fazer vitimas muitos anos após o fim da guerra. Lembro-me de ter pensado que essa era das armas mais cruéis, uma arma que pode matar dezenas de anos depois do fim dos conflitos, como tem acontecido em países como algumas das nossas antigas colónias.
De Diana continuarei a guardar o rosto, o olhar revelador e a expressão única, e a recordar de quando em vez as suas virtudes que em muito compensaram os defeitos.

sábado, 1 de setembro de 2007

Com Creme ou sem Creme?

Hoje ao final da tarde, mergulho nas águas da Praia de Montegordo!
A fome apertava, o almoço já ía longe e ouvi aquela voz inconfundível do homem de branco com dois cestos de Bolas de Berlim.
O grito de guerra mudara, já não se houve a tal pergunta "Com Creme ou Sem Creme?", e a Alcina lá pediu as Bolas de Berlim para enganar um estomago carente, e aí o choque com uma outra realidade.
Aquelas bolas que durante décadas nos alimentaram e deliciaram nas praias do nosso Portugal, que eram já uma tradição, que não fizeram mal a várias gerações, são agora uma ameaça...
Regras da ASAE, a bem da segurança alimentar, agora só sem creme, para meu mal, que fiquei de água na boca, a pensar se não haveria algum fundamentalismo nesta medida....
As bolas, com aquele creme amarelo apetitoso, essas, já eram....... :(

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Cuba! E a vida tão triste...

E as fotos lá vão ficando nas pastas, como não recordar Cuba em Outubro do ano passado.
O comunismo falhou no Mundo, e em Cuba também.
Entristeceu-me aquele povo oprimido, sem liberdade, os olhos tristes naqueles rostos, as ruas de Havana com camaras e policias em cada esquina, muitos deles apenas ouvindo os assuntos que se falavam.
Karl Marx e Lenine falharam na sua ciência!
Saúde de borla, dinheiro contado para a comida, liberdades confiscadas, internet só para turistas, como é possível encontrar estimulos, onde nao ha recompensa para o esforço adicional, para a criatividade individual ! Valha-me Deus! Cada vez mais me apetece afirmar os valores da social-democracia, a liberdade, a afirmação do primado do homem sobre o estudo, numa economia liberal e moderna, tendo em atenção também a justiça social.
O bom que trouxe de Cuba foram as praias de Varadero, as aguas quentes, os resorts, vá ... os monumentos de Havana.
De resto nao esquecerei aqueles rostos, principalmente o da nossa guia, professora de Matemática com doutoramento e galardoada com prémios internacionais. Foi proibida pelo governo de aceitar o convite para ser professora de Matemática na Universidade do México, o despacho considerava que tal iniciativa da Universidade era um roubo de talento, lembro-me de lhe ter dito, que na minha opinião se tratava era de um enorme desperdicio de talento.
E assim deve continuar, triste e amargurada, deprimida, contando a história daquele país resignado a Fidel Castro.

Arrumar fotos antigas.

Quando percorro o Parque do Sorraia sinto uma vida que antes nao existia. Coruche sofre uma transformação em cada dia, e para mim, não posso deixar de expressar que Requalificar a Zona Ribeirinha de Coruche foi um desafio galvanizador, pela alegria que senti nas pessoas daquela vila ribatejana, desde o cidadão comum, aos autarcas que concretizaram um objectivo de décadas.
Durante anos, o rio invadia a vila e a casa das pessoas e a zona da praça de touros era uma extensa área de saibro muito desorganizada.
Como dizia Gabriel Garcia Marquez, o prazer nao está em chegar ao topo da montanha, estará em subi-la, porque não lembrar o galvanizador desafio do ano em que se construiu aquela importante obra.
Foi assim, a construção, o dia da alegria da inauguração a 12 de Dezembro de 2005, que nao esquecerei por dois motivos, pela obra concluida, mas sobretudo por ter conhecido o Abilio Rodrigues, filho do dono da empresa construtora com quem mantive uma conversa agradável durante o almoço, que nos deixou a todos num acidente perto de Ourém na noite desse mesmo dia. Foi um choque, que por vezes ainda me vem à memória, nessas estradas de portugal que percorro.

No Dique, ainda em construção ...

sábado, 25 de agosto de 2007

Quim Barreiros em Cabanas!

Ontem à noite, o Quim Barreiros esteve em Cabanas de Viriato num espectáculo comemorativo dos 135 anos da Filarmónica, com casa cheia, rostos de Cabanas, do concelho e de outras paragens. Como Presidente da Junta, é uma alegria quando vejo tanta gente vir ao nosso encontro. Bem o Presidente da Direcção (o meu Pai), o Ernesto que ganhou desde logo uma empatia com o Quim, e toda aquela equipa que o acompanha, foram corajosos e dedicados, uma organização profissional não teria feito melhor.
Já depois do espectáculo, enquanto jantava, conversa de cerca de uma hora com o Quim Barreiros, com os seus já 60 anos, mantém grande jovialidade fruto de ter vivido uma vida a fazer aquilo que gosta; nem tudo foram altos, mas é impressionante que este homem é o empresário de si próprio, o gestor da sua própria imagem, o homem que compoe as suas músicas, o homem que sobe ao palco, toca e canta, e um devoto e preocupado pai de familia. Gostei deste Quim Barreiros para além da música dos CD e das noites académicas da Guarda, que recordo com saudade...

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

António Barreto! Retrato Social...

Verdadeiro serviço público, dos melhores programas da RTP desde há muitos anos... Um verdadeiro retrato do nosso país... A ver, reter e rever! A procurar no sitio RTP.

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Museu Salazar. O desafio Santacombadense.

Ao ler o Público verifico o cada vez maior interesse da comunicação social, pela vontade de Santa Comba Dão em ver concretizado o Museu Salazar.
O concurso Grandes Portugueses está a ser bem aproveitado pela Câmara de Santa Comba Dão, que de forma determinada, tem tentado concretizar esta ideia, promovendo um espaço que conte as façanhas deste ditador que conduziu este nosso país, durante largos anos.
Achei engraçado a expressão de um velho municipe, quando afirmou "Já que nunca fez nada por nós enquanto esteve no poder, ao menos que o faça agora!"
Não tenho dúvidas que é importante para Santa Comba a construção do Museu, mas tenho pena, que no meu concelho, Carregal do Sal, não veja a mesma paixão e determinação para que seja reconstruida a Casa do Passal, a Casa de Aristides Sousa Mendes (esse sim, um heroi) e onde uma mensagem mais importante haverá a transmitir do que a mensagem daquele período Salazarista, de um Portugal onde ter a quarta classe era escola a mais, de um Portugal que vivia de Fátima, Eusébio e Amália, e de vistas bem apertadas.
Que pena tenho, desta Fundação Aristides Sousa Mendes não tenha mais iniciativa e mais arrojo, já lá vão oito anos, oito anos! e ainda nem projecto há!
Enfim, começo a sentir-me a solo! Na vontade e no incómodo que o estado daquela casa me causa.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Camacho. Primeiro dia no Benfica!

Novamente Camacho no Benfica, espero que consiga ser Campeão, pelo menos na primeira fase vai ter o carinho e apoio dos adeptos, e mais receitas de bilheteira para os cofres da SAD, a amizade com Vieira nao deixará de ser também refém dos resultados. Mais uma vez ficou provada que a diplomacia com os jornalistas pode servir para que estes se tornem menos agrestes, até lhe perdoaram o lapso de ter dito que tinha deixado o Benfica Campeão, quando nos deixou em segundo lugar e com uma taça de portugal. Entrou bem, que saia ainda melhor!

Entrevista do Prof. Marcelo no Diário Económico

Excelente a leitura matinal da entrevista do Prof. Marcelo Rebelo de Sousa ao Diário Económico, como sempre em grande forma! Um apoio disfarçado na recondução de Marques Mendes na liderança do PSD, e um prognóstico de uma candidatura presidencial de Durão Barroso ou Santana Lopes a Belém daqui por 8 anos, admitiu poder ser ele próprio... Ainda falta tanto tempo!

Miguel Frasquilho toca na ferida!

Muito bem o Fiscalista Miguel Frasquilha na ESAI, quando afirma que o sistema fiscal português é pouco competitivo, complexo e ajuda a promover a evasão.
O promotor perde demasiado tempo, e dispende demasiadas energias para conseguir perceber, o emaranhado legal do nosso sistema fiscal, para além da penalização que existe à chegada, com a cobrança de impostos demasiado altos.
Em Portugal é contrariada a tendência de outras economias, onde se procura simplificar e reduzir taxas.
Os impostos elevados fazem com que mais gente tente fugir, ao contrário do que acontece se tivermos impostos mais baixos, em que existe uma redução da evasão, e faz com que exista uma possibilidade efectiva de aumento de receita fiscal.
Apesar do diagnóstico, em que se percebe que a questão fiscal é um meio muito eficiente de atrair investimento, continua a ser bem clara a falta de vontade politica em modificar o que quer que seja.
Pois é Miguel, talvez em 2009 se perca a inércia, certamente pelos motivos errados!

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Variante a Cabanas de Viriato

Foi hoje, 20 de Agosto de 2007!
Começa a cumprir-se um sonho de décadas, com o inicio das obras da empreitada de Construção da Variante a Cabanas de Viriato.
É uma obra que começa 347 dias após o lançamento do concurso em diário da república (reclamações de concorrentes!) e mais de três anos depois de eu ter acordado com o Sr. Arsénio os movimentos de terras para abertura daquele troço, na altura para permitir o desvio do trânsito durante o Carnaval daquele ano.
Estes três anos que passaram só confirmaram a necessidade daquela intervenção, por lá passavam já autocarros escolares, viaturas pesadas mas também ligeiras, que apesar das dificuldades do pavimento (em saibro irregular) tentavam mais rapidamente chegar à zona sul da vila.
É o maior investimento publico na nossa freguesia, um sonho que começa a tornar-se realidade, no final estará concretizado um dos grandes objectivos deste mandato.
É certamente um dia feliz, para este Presidente da Junta!

UM RESISTENTE DO ESTADO NOVO!

Será legitimo ao homem que conta as suas memórias, introduzir nos seus próprios relatos impressões pessoais, afectos, imagens, momentos de um tempo passado ? Estou certo que sim, uma vez que qualquer pessoa quando parte para a leitura de uma autobiografia ou memórias, sabe que aquilo que vai ler é objectivamente uma perspectiva pessoal, quer de um percurso de vida quer de momentos que fizeram a história desse tempo.

Aquilo que não é aceitável é adulterar a história, adulterar os factos, ainda mais usando afirmações de outros de quem já apenas existe memória, recontando uma história, moldando-a aos ideais então defendidos, tomando um papel de verdadeiro criador de histórias.

Foi efectivamente isso que aconteceu com uma infeliz passagem das Memórias do Prof. José Hermano Saraiva (página 17 do 5.º Volume – 6.º Década - Anos 70 – I Parte -Em Brasilia editado com o Semanário SOL) onde é relatada uma conversa com o Dr. Luis Filipe Leite Pinto (Subsecretário de estado da educação nacional entre os anos de 1946 e 1949), uma mensagem inaceitável e qualificável apenas como vinda de um resistente salazarista, uma vez que emana da mais fiel propaganda de um regime vencido pela revolução de Abril de 1974, e que atenta contra a memória do nosso herói Aristides de Sousa Mendes, assim escreveu o Prof. Saraiva:

"Fala, a propósito, na operação de salvamento dos refugiados republicanos espanhóis e dos judeus que, no início da Segunda Guerra Mundial, se acumulavam na fronteira de Irun, na ânsia de salvar as vidas. Vieram embarcados nos vagões da Companhia dos Caminhos de Ferro da Beira Alta, que iam até Irun carregados de volfrâmio, e voltavam a Vilar Formoso carregados de fugitivos. A operação foi mantida rigorosamente secreta porque as autoridades espanholas não consentiriam. Segundo um protocolo firmado pelas autoridades ferroviárias dos dois países, os vagões deviam circular selados, quer à ida quer à vinda. Um dos que assim salvaram a vida foi o Barão de Rotschild. O embaixador Teixeira de Sampaio confirmou-me, mais tarde, esses factos. O salvamento de 30.000 refugiados deu-se ao mesmo tempo que o cônsul de Portugal em Bordéus, em cumplicidade com dois funcionários da Pide, falsificava algumas centenas de vistos, que vendia por bom preço a emigrantes com dinheiro. Um dos que utilizaram esta via supôs que todos os outros vieram do mesmo modo - e assim nasceu a versão, hoje oficialmente consagrada, de que a operação de salvamento se deve ao cônsul de Bordéus, Aristides de Sousa Mendes. Este, homem muito afecto ao Estado Novo, nem sequer foi demitido, mas sim colocado na situação de aguardar aposentação. Os seus cúmplices da Pide foram julgados, condenados e demitidos".

Não são novos estes devaneios do Prof. Hermano Saraiva sobre esta matéria, e confesso que até esperava uma referência a Sousa Mendes nestas suas memórias, depois da contundente e determinada exposição do Dr. Fernando Nobre no programa em que foi promotor da proposta de Aristides Sousa Mendes para O Maior Português de Sempre, embora ao mesmo tempo esperasse que o debate desse dia tivesse servido para o Professor Saraiva ter compreendido que as fantasias e a propaganda salazarista não pegavam num tempo de liberdade, que permitiu que nesse dia fosse contada toda a verdade perante milhares de portugueses.

A saber,
Corria Maio de 1940 e em plena segunda guerra mundial, a França era invadida pela Alemanha Nazi, tendo milhares e milhares de refugiados se concentrado no sul de França, fugindo das tropas de Hitler e dos campos de concentração, o cônsul-geral de Portugal em Bordéus era na altura Aristides de Sousa Mendes, que ao emitir vistos estaria a permitir a fuga dos refugiados para Portugal e daí para os Estados Unidos.
Sousa Mendes já tinha sido descoberto a emitir alguns vistos, o que contrariava a circular n.º 14 do Governo de Oliveira Salazar. O teor dessa circular era claro - afirmava a proibição da emissão de qualquer visto a estrangeiros com nacionalidade indefinida, contestada ou em litigio, apátridas, portadores de passaportes nanson, judeus expulsos dos países da sua nacionalidade ou daqueles de onde provêem, isto é, os refugiados que Aristides Sousa Mendes pretendia salvar.

Sousa Mendes emitiu os primeiros vistos ao Arnold Wiznitzer e Norbert Gingold, tendo este acto resultado num apertado controlo dos seus movimentos por parte da policia politica e num aviso inequívoco do governo em carta oficial datada de 24 de Abril de 1940:
A repetição de factos desta natureza, lesivos da disciplina é altamente prejudicial para o serviço, para os interessados e sobretudo para a indispensável dignidade da função consular.
Fica por isso V.sa advertido que qualquer nova falta ou infracção nesta matéria será havido por desobediência e dará lugar a procedimento disciplinar em que não poderá deixar de ter-se em conta que são repetidos os actos de V.Sa, que motivam advertências e repreensões.

Com a chegada dos refugiados a Bordéus e com a França derrotada pela rapidez motorizada do avanço alemão, chegam ao consulado de Portugal de Bordéus por dia centenas de pedidos de vistos, as pressões exercidas sobre Sousa Mendes eram enormes e ele começou a ceder, tendo passado alguns vistos em finais de Maio de 1940, tendo havido registos de três polacos apanhados pela policia politica, na altura liderada pelo Capitão Agostinho Lourenço, que exasperado com as repetidas infracções de Sousa Mendes escreveu pessoalmente a Salazar, que a 29 de Maio emitiu um despacho para que fossem realizadas as averiguações necessárias com vista à instauração de um processo disciplinar.

Os conturbados dias do inicio do mês de Junho de 1940, levaram a que milhares de refugiados se instalassem à porta do seu consulado de Bordéus no Quai Louis XVIII, tendo Sousa Mendes vivido o maior de todos os dilemas da sua vida: - Salvar aqueles milhares de pessoas de uma morte certa, desrespeitando as ordens de Salazar e sujeitando-se à implacável severidade da punição do ditador português, que certamente se traduziria no fim de uma carreira de mais de trinta anos, e a resignação a um resto de vida ruinoso com o agudizar das já existentes dificuldades? Ou então, virar a cara para o lado, e assumir também a posição de Salazar, de neutralidade perante a guerra, que neste caso concreto, o que seria era uma posição de apoio a Hitler?

A 16 de Junho de 1940, na “Capital de la peur” – Capital do Medo em que se transformara Bordéus, Sousa Mendes decidiu entregar vistos a todos aqueles que o pedissem: “A partir de agora, darei vistos a toda a gente, já não há nacionalidade, raça ou religião!”. Com a ajuda dos seus filhos, sobrinhos e do rabino Kruger, Sousa Mendes assina passaportes, carimba vistos, usando todas as folhas de papel disponíveis.

Trabalhou durante três dias e três noites em Bordéus, tendo posteriormente se deslocado a Bayonne (em condições perigosíssimas!) onde emitiu ainda mais vistos.

Estima-se que cerca de 30 000 vidas terão sido salvas. Foram vistos para a vida, Sousa Mendes afirmou mais tarde: “Era realmente meu objectivo salvar toda aquela gente!”

Aristides de Sousa Mendes regressou a 08 de Julho de 1940 a Portugal, para ser punido por Salazar com a privação do seu emprego diplomático por um período de um ano, reduzindo em metade o seu salário, antes de o aposentar; para além disso, é proibido de exercer a profissão de advogado e é lhe retirada a licença de condução por ter sido emitida no estrangeiro.
Após a demissão, Aristides de Sousa Mendes e a sua numerosa família sobrevivem graças à solidariedade de diversas proveniências, é conhecida a ajuda de pessoas humildes em Cabanas de Viriato e também da Comunidade Judaica de Lisboa, que facilitou a alguns dos seus filhos os estudos nos Estados Unidos, dois deles participaram no desembarque da Normandia.

Em 1945 o Dr. António Oliveira Salazar congratulou-se por Portugal ter ajudado os refugiados, numa tentativa de promover a imagem externa do país perante os países aliados, é conhecida afirmação: “Qual país mais generoso, que foi capaz de receber estes milhares de refugiados”.
O final de Sousa Mendes foi ainda pior: - Venda de bens, morte de sua esposa D.ª Angelina em 1948, emigração dos filhos para o estrangeiro.
Sousa Mendes faleceu muito pobre a 03 de Abril de 1954 no Hospital da Ordem Terceira em Lisboa.

Esta é a verdadeira história, a história de um homem bom, de um exemplo de solidariedade e de compaixão humana, um homem que decidiu “estar bem com Deus contra os Homens, do que com os Homens contra Deus”.

Aristides Sousa Mendes como qualquer outro mortal cometeu certamente erros, cometeu faltas, pecou como todos os mortais; mas é essa condição de ser humano, que faz com que a dimensão da sua consciência naqueles dias de Junho de 1940, torne todo este acto ainda maior, e que faz com que ainda hoje os seus valores e a sua condição de herói, seja contemplada um pouco por todo o Mundo.

É esta a verdade! É esta a verdade que o Prof. Hermano Saraiva facilmente perceberia com alguma investigação das provas documentais existentes, que como alegado Historiador certamente necessitaria de consultar, dos testemunhos existentes, dos diversos relatos, isto é, de tudo aquilo que os salazaristas esconderam durante anos.
Uma coisa tenho por certo, o acto de Sousa Mendes, não é mesmo compatível com o país
silenciado, iletrado e beato do Estado Novo.






domingo, 19 de agosto de 2007

Bem-vindos!

Sejam bem-vindos ao meu blog!

Aqui deixarei o meu testemunho, aqui deixarei a minha opinião sobre os mais variados assuntos, que este seja também um espaço de debate, de partilha e de interacção com todos os que queiram participar.

Obrigado