sábado, 28 de novembro de 2009

Como é triste o Futebol sem Golos!


Fonte: Sapo.pt

Em toda a história, este foi o primeiro derby sem golos.

Uma primeira parte equilibrada, com as equipas a respeitarem-se mutuamente e sem arriscar muito.
O Benfica mais afoito na segunda parte, mas com a máquina demolidora em perda, apesar de ter sido superior, ter tido mais oportunidades e a mostrar qualidade capaz de prometer o regresso às noites de glória do inicio da temporada.
Com Carvalhal, o Sporting parece ter ganho nova esperança, mas está cada vez mais longe de fazer sonhar os seus adeptos.

Vamos ver!

As férias de Natal serão importantes para estas duas equipas.
Como é triste este Futebol sem golos!

Até já!

Buenos Aires, Argentina


quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Peniche


Redes de muito alta tensão




Como autarca de freguesia ao longo de oito anos, fui compreendendo que um dos grandes problemas dos nossos políticos é a sua distância à realidade das coisas, do dia a dia das pessoas, dos seus anseios, dos seus problemas.

Acredito que tenha sido um Presidente da Junta diferente, por aos 30 anos ter já exercido dois mandatos autárquicos; e por ao longo desse tempo, com as limitações próprias da idade e da minha própria capacidade de entendimento das coisas, ter mantido um grande interesse pelo estudo e compreensão das questões nacionais de uma forma abrangente.

Ao olhar para cima, o problema que fui observando em muitas das decisões do poder central, é que a legislação aprovada e as decisões de carácter executivo eram tomadas de forma ligeira, sem o necessário contacto com os técnicos, com os cientistas, com os professores, ou simplesmente, com as pessoas.

Seriam muitos os exemplos, lembro-me de uma Assembleia Municipal em que muita gente ficou espantada, quando denunciei que o programa Novas Oportunidades (que estaria a esse tempo, a recolher a simpatia de praticamente todos os partidos) era um embuste, e denunciava casos em que as pessoas saíam das fábricas - dos seus empregos - para se inscreverem neste programa subsidiado no qual durante uns meses receberiam formação, mas que depois, quando o programa acabasse, sairiam com um ‘falso’ diploma de 9.º ou 12.º ano, mas o emprego que tinham antes já não estaria à sua espera.

E depois, lá ia o estado ‘asilo’ ter de suportar mais gastos sociais, e lá ia o desemprego subir.

É claro que a qualificação dos portugueses é importante. Mas a qualificação que aumenta a produtividade e assim a competitividade da nossa economia. Não a fabricação estatística para nos puxar desse vergonhoso fim da escala, que nos coloca com uma escolaridade média de 8.º ano.

Já não sou autarca – por opção de não recandidatura, coisa pouco habitual, não é? – mas continuo a questionar-me sobre algumas das decisões que são tomadas.

Hoje foram as redes de muito alta tensão. Que graças a PS e PSD vão continuar a não ser tratadas com a exigência que deveriam.

Isto, e deixem-se lá de coisas, por existirem JUSTAS intervenções a ser realizadas, para preservação das populações. DESPESA necessária para salvaguarda do bem-estar de algumas populações que vêem passar por cima dos seus telhados estas linhas condutoras de electricidade.

Existem estudos científicos, que provam uma relação directa entre o aparecimento de tumores e problemas neurológicos em populações, que estão expostas a radiações deste tipo infra-estrutura.

Nos Estados Unidos foram vários os casos de intervenções dispendiosas no sentido de afastar estas linhas de zonas residenciais.

Porque é que não se aumentam estes limites de radiação, se é reconhecido que neste momento eles estão num valor demasiado baixo? Porque não se mudam as linhas mais próximas das zonas residenciais?

O que é mais importante? Os lucros da REN ou a tranquilidade ou a saúde destas populações?

Porque não se soterram as linhas, quando há relatórios da comissão europeia que explicam a sua vantagem, até económica, do ponto de vista da sua manutenção?

Então e o impacto ambiental ? O ruído e a paisagem, não contam? Será bonito ver aldeias e vilas serem invadidas por estas altas e pesadas infra-estruturas?

Num país onde qualquer dia estamos a fazer auto-estradas umas por cima das outras, não será chegada a hora, de percebermos que há dinheiro que tem mesmo de ser gasto.

Não querendo ser nenhum arauto da verdade, não bastaria ao político para melhor compreender a dimensão desta decisão falar com alguns investigadores desta área, fazer uma viagem e conhecer problemas que estão reportados em outros países, ler os relatórios internacionais sobre esta matéria, ou ainda mais fácil e importante, compreender a 'felicidade' de alguém que vive com essas coisas a passar por cima dos seus telhados.

Até já.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Boston, USA


Minas anti-pessoais.



Barack Obama não aderiu à Convenção anti-minas, justificando por porta-voz que não poderia garantir a defesa nacional e os compromissos com os seus aliados sem o recurso a este tipo de armamento.

Esta convenção que recebeu o Nobel da Paz em 1997 não recebe agora suficiente acolhimento do Nobel da Paz de 2009.

Realista perante os aspectos militares, mas inadequado perante a necessidade de acabar com este tipo de arma, que é das coisas mais cruéis que existem, porque são armas que matam muito para além da duração dos conflitos.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Para quando o que é importante?


Criança em Nairobi - Quénia

Que dia este!

São 23:45 e o dia está a terminar.

Depois de uma manhã a ler sobre um assunto importante, uma tarde a cumprir agenda sem grande produtividade, jantar, festa de anos, e agora, passo pelas notícias do país e do mundo a correr muito, porque há trabalho ainda para fazer. Até lá para as três da manhã.

Ao olhar a actualidade, as intervenções, as análises, os comentários, observo tão grande superficialidade e uma distância tão grande daquilo que importaria discutir.

Estatísticas do momento, joguinho partidário, contraditório pelo contraditório, habilidades com o orçamento a disfarçar o buraco e o desequilíbrio, comentário sobre não notícia, enfim… uma lástima.

Todos os dias a mesma coisa.

E os problemas estruturais do país. E os problemas estruturais do Mundo?

Não há um artigo profundo. Não há debate sério sobre nada.

A propósito de coisas sérias, faz hoje vinte anos sobre a Convenção Mundial da Criança e sessenta anos sobre a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

No Mundo metade das crianças continuam a sofrer carências básicas, morrendo de doenças evitáveis, sendo vítima de abusos ou discriminação.

Falta de acesso a uma escola, a água potável, a um tecto, a alimentação, a protecção contra a violência, exploração ou discriminação.

Em muitos países de África – sim - sem dúvida que as carências são maiores, mas não só aí!

Tratar das nossas crianças, deve ser um desígnio tão forte, que merecia um abraço fraterno de todas as nações do Mundo, principalmente das que mais podem fazer para que mais ajuda chegue onde ela é verdadeiramente precisa.

Não tem haver com política, tem haver com decência, com dignidade, com moral.

Agora pergunto, alguém se lembra de ver por cá um debate sobre este assunto?

Até já.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Sincronizar com Portugal


Imagem: portugalporreiro.blogspot.com


O PSD enfraquece se continuarmos a alimentar este discurso de cisão, entre aquilo que há anos se denomina como bases e elites.

Se conseguir ir ao próximo congresso, gostaria de lá falar um pouco sobre este tema.

Um partido que emergiu da sociedade portuguesa, que se construiu com o contributo de professores, agricultores, médicos, cantoneiros, donas de casa, empresários ou serralheiros – desfraldando a bandeira interclassista e dizendo que esta era uma casa para todos – não pode continuar a alimentar esta divisão, em que uns olham outros como trupes à procura de um espaço só para si quando este pode ser de todos.

Não podemos falar de um Partido para as Bases e outro para as Elites.

Nem que hoje governam bases e amanhã governarão elites.

Somos todos iguais neste partido, independentemente da classe, profissão ou notoriedade que cada um de nós alcançou.

Não é assim que olhamos Portugal, como um país igual, onde todos somos importantes e necessários para alcançarmos o bem-estar e a prosperidade.

Porque não olhamos também desta forma para a nossa família política?

Porque não abrimos mais o partido ao mérito, fazendo com que as pessoas que amam o seu país, que gostam de política possam ter a sua oportunidade, sem ter de andar a correr a filiar militantes, para poderem com hipóteses razoáveis, disputarem eleições com os dirigentes mais antigos?

Porque não se cultiva a regra do respeito pelo tempo dos mandatos, da definição dos espaços temporais de divergência e de disputa interna e na utilização do resto do tempo para intervir e debater sobre Portugal. E tanto há para debater, tal é a dimensão dos problemas que colectivamente temos de enfrentar nestes próximos anos.

Não foi nos tempos em que soubemos interpretar as causas e aspirações dos portugueses que recebemos a sua confiança?

Não é esse o inalienável legado de Sá Carneiro, que acima de tudo, está Portugal?

Não terá sido por fugirmos ao essencial da nossa razão de existir enquanto partido, que os portugueses têm preferido outras soluções, por mais duvidosas que estas se lhe configurem?

É por isso fundamental que o próximo Presidente do PSD traga um projecto realista mas mobilizador, um lider que seja inteligente e que tenha jeito para a política, que seja preparado para seduzir através da coragem de fazer e da capacidade de acreditarmos mais em nós próprios.

Terá de colocar ordem no partido. Será o seu primeiro e vital desafio.

Na minha opinião, o melhor caminho para o conseguir, é chamar todos a terreiro e fugir dos acertos de contas e da atitude ‘interno-separatista’ que aqui e ali, no passado, foram acontecendo.

Acima de tudo porque há uma batalha maior.

E essa, essa sim, é decisiva. Principalmente para os nossos filhos e para os filhos dos nossos filhos.


Até já.

sábado, 21 de novembro de 2009

Podemos sonhar ?




E lá conseguimos carimbar o passaporte para o Mundial da África do Sul, o primeiro que será realizado em África.

Era uma qualificação natural, tendo em conta o percurso da nossa selecção nestes últimos anos, a qualidade superior dos seus jogadores e a equipa que tinha sido construída por Scolari.

Um percurso que nos fez sonhar, chegar onde nunca antes tínhamos chegado, sermos temidos como uma das selecções do topo do mundo.

Mas o que era natural, acabou por a determinado momento se tornar muito difícil de conseguir.

Voltámos ao velho fado, das contas cada vez mais difíceis de fazer, da espera pelos resultados dos outros.

Porque deixámos de ter aquela equipa, porque perdemos mística e perdemos qualidade.

Figo, Rui Costa, Pauleta ou antes Vítor Baía – todos eles – teriam lugar nesta selecção.
Pela qualidade, pela experiência, pela alma que traziam à equipa, uma espécie de ligação especial ao que cada um de nós, em casa ou na bancada, estávamos a sentir. Eles conheciam o pulsar de todos nós.

Mas encaremos este novo tempo, como um novo percurso a fazer, uma nova era, que tem Ronaldo, mas também tem Nani, Simão, Fábio Coentrão, Raul Meireles ou Eduardo.

Onde há qualidade mas também juventude, e onde teremos de tolerar esta descaracterização trazida pela recente introdução de mais estrangeiros na nossa equipa – que no mínimo – deveriam aprender a cantar o hino.

É também com eles que teremos de construir aquele grupo, aquela equipa, que volte a trazer o sonho.

Carlos Queiroz sabe que teve sorte, mas tem agora tempo para compor o que fez mal, melhorar o que é possível e consolidar o que está bem.

Ainda bem que vai ter essa oportunidade, ainda por cima num país onde vivem e trabalham tantos portugueses.

Podemos sonhar? Claro. Não é o sonho que comanda a vida ?

Até já.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

20 anos sobre a queda do Muro em Berlim.



Passaram 20 anos sobre a Queda do Muro em Berlim.

Foi um momento extraordinário.
A Alemanha depois de mais de quarenta anos separada, estava agora a caminho da sua reunificação, enquanto o comunismo desmoronava-se na Europa Central e Oriental.

Uma nova chama para um Mundo mais livre e mais próspero era ateada naquele momento histórico.

Em 1989, eu tinha apenas 10 anos.
Mas ainda me lembro em criança de ver na Televisão os jogos entre a RFA e a RDA, e de com estranheza perguntar ao meu tio porque é que a Alemanha tinha duas equipas e os outros países apenas só uma.

Não me lembro da resposta, mas lembro-me de ter feito a pergunta.
Eu próprio se uma criança de dez anos me tivesse feito essa pergunta, não sei como responderia...

A queda do muro representa um momento de afirmação do Homem -, do respeito pelo seu destino, pela sua liberdade, pela construção de uma sociedade mais feliz e com oportunidades de realização.

Foi um grande passo.
Um grande passo que nos deve inspirar para que outros, também importantes, sejam dados.

Não descansando enquanto não conseguirmos chegar  com a nossa ajuda aos países do Mundo onde as necessidades mais básicas ainda não são sartisfeitas - como dever moral de sociedades desenvolvidas mas com coração; respeitando as diferenças de crenças religiosas ou convicções políticas, mas combatendo todo o tipo de fundamentalismo ou violação dos direitos humanos; preservando o nosso planeta - a nossa casa - onde não há interesses que impeçam a nossa capacidade de construir a radical mudança na forma como o tratamos; lutando para que se construam sociedades mais livres, principalmente onde o advento da democracia teima em chegar.

Importa também lembrar o que falta fazer em prol da reunificação alemã - onde a coesão territorial, mesmo passado vinte anos, ainda não chegou.
Os salários são mais baixos na antiga Alemanha de Leste, há mais desemprego, a Economia tem pior desempenho e a qualidade de vida não é a mesma, como Merkel sabiamente soube reconhecer.

É um processo lento, pode até demorar gerações.
O mais importante é que seja percorrido. Com estratégia e visão de longo prazo.

Até já.