segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Sincronizar com Portugal


Imagem: portugalporreiro.blogspot.com


O PSD enfraquece se continuarmos a alimentar este discurso de cisão, entre aquilo que há anos se denomina como bases e elites.

Se conseguir ir ao próximo congresso, gostaria de lá falar um pouco sobre este tema.

Um partido que emergiu da sociedade portuguesa, que se construiu com o contributo de professores, agricultores, médicos, cantoneiros, donas de casa, empresários ou serralheiros – desfraldando a bandeira interclassista e dizendo que esta era uma casa para todos – não pode continuar a alimentar esta divisão, em que uns olham outros como trupes à procura de um espaço só para si quando este pode ser de todos.

Não podemos falar de um Partido para as Bases e outro para as Elites.

Nem que hoje governam bases e amanhã governarão elites.

Somos todos iguais neste partido, independentemente da classe, profissão ou notoriedade que cada um de nós alcançou.

Não é assim que olhamos Portugal, como um país igual, onde todos somos importantes e necessários para alcançarmos o bem-estar e a prosperidade.

Porque não olhamos também desta forma para a nossa família política?

Porque não abrimos mais o partido ao mérito, fazendo com que as pessoas que amam o seu país, que gostam de política possam ter a sua oportunidade, sem ter de andar a correr a filiar militantes, para poderem com hipóteses razoáveis, disputarem eleições com os dirigentes mais antigos?

Porque não se cultiva a regra do respeito pelo tempo dos mandatos, da definição dos espaços temporais de divergência e de disputa interna e na utilização do resto do tempo para intervir e debater sobre Portugal. E tanto há para debater, tal é a dimensão dos problemas que colectivamente temos de enfrentar nestes próximos anos.

Não foi nos tempos em que soubemos interpretar as causas e aspirações dos portugueses que recebemos a sua confiança?

Não é esse o inalienável legado de Sá Carneiro, que acima de tudo, está Portugal?

Não terá sido por fugirmos ao essencial da nossa razão de existir enquanto partido, que os portugueses têm preferido outras soluções, por mais duvidosas que estas se lhe configurem?

É por isso fundamental que o próximo Presidente do PSD traga um projecto realista mas mobilizador, um lider que seja inteligente e que tenha jeito para a política, que seja preparado para seduzir através da coragem de fazer e da capacidade de acreditarmos mais em nós próprios.

Terá de colocar ordem no partido. Será o seu primeiro e vital desafio.

Na minha opinião, o melhor caminho para o conseguir, é chamar todos a terreiro e fugir dos acertos de contas e da atitude ‘interno-separatista’ que aqui e ali, no passado, foram acontecendo.

Acima de tudo porque há uma batalha maior.

E essa, essa sim, é decisiva. Principalmente para os nossos filhos e para os filhos dos nossos filhos.


Até já.

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