“As sondagens são estudos científicos destinados a auscultar as opiniões e atitudes dos cidadãos sobre questões políticas, sociais e outras, recolhendo a respectiva informação junto de um conjunto de indivíduos representativos do universo populacional que se pretende abarcar.”
É esta a definição dada ERC (Entidade Reguladora da Comunicação Social).
Existem regras para a sua elaboração, devidamente enquadradas por regime legal, tendo os órgãos de comunicação social o dever de não emitir comentários ou opiniões que extrapolem o significado dos resultados apresentados.
O seu maior protagonismo e polémica aparece nos estudos que envolvem eleições.
Sondagens com amostras pouco representativas, margens de erro elevadas, leituras abusivas e enviesadas dos resultados pelos media, a valorização ou desvalorização dos resultados por parte de candidatos consoante a posição que ocupam, acabam por ser as situações que aqui e ali constatamos, quando perto ou nos períodos eleitorais lá vamos recebendo estes estudos e fazendo as nossas próprias análises.
As sondagens são importantes, constituem um prognóstico sempre interessante, são capazes de galvanizar quem vai à frente e desanimar aqueles que ficam mais atrás.
Vivem períodos de aceitação diferentes, à medida que vão acertando mais ou menos nos resultados que depois dos actos eleitorais são inevitavelmente comparados.
Não deviam merecer o protagonismo que têm, porque nem todas são feitas com rigor e porque são muitos os que – por coerência – acabam por analisar os resultados pela sua própria bitola.
Lembro-me ainda em criança ouvir uma história acerca de uma corrida de sapos, com uma enorme assistência que lançava aos corredores que não apoiavam as maiores vaias com o objectivo de os desmotivar, desmobilizar, tentando desta forma diminuir o seu desempenho. Esta história acaba com a vitória de um sapo, que descobriram que era surdo.
Como eleitor não me fio muito em sondagens, lembro-me de há uns anos Santana Lopes em Lisboa estar 8% atrás de João Soares e passado dois dias ganhar as eleições; como me lembro de ainda há três meses Paulo Rangel estar com poucas hipóteses de ganhar as eleições europeias, que vieram a desmentir em votos o que as sondagens vinham dizendo sobre a aceitação do PS na sociedade portuguesa.
Valem o que valem - é o que se costuma dizer - e o melhor que podemos fazer é pensar no sapo que era surdo e acabou por ganhar, e tomar a nossa decisão em consciência sem ligar muito a estas tendências, tantas e tantas vezes de fabrico à medida.
Estando PPD/PSD e PS separados apenas por um ponto, podendo eleger o mesmo número de deputados, será mais fácil ouvir a nossa própria consciência.
E esta noite, quando Manuela Ferreira Leite e José Sócrates se encontrarem – vamos tentar compreender em que é que são diferentes – Qual deles trás um programa mais próximo da realidade dos nossos dias e dos problemas que temos de enfrentar? Terão sido o espectáculo e os discursos capazes de fazer com que o país melhorasse nestes últimos anos? É importante ou não ter um primeiro-ministro que nos diga a verdade ou que viva lá longe, falando de um país que não é aquele onde vivemos? Merecem os nossos filhos receber um país manietado pelo endividamento crescente? Precisaremos nós de fazer mais auto-estradas, qualquer dia uma sobre as outras?
Vamos estar atentos e decidir em consciência.
Qualquer que seja o próximo governo enfrentará os ventos e as marés mais fortes, onde será fundamental a mesma coragem e realismo, com que há séculos navegámos em águas difíceis para descobrirmos novos mundos.
Este empate cheira-me a esturro, porque sinto que depois de tanta asneira um empate na sondagem ainda é a linha de vida a que o PS se agarra.
Apenas um sentimento, assumindo eu a falta de rigor, ao contrário dos muitos que publicam, analisam e comentam, perante uma ERC que estranhamente se mantém calada perante tanto disparate e parcialidade.
Até já.