O senhor Presidente da República falou hoje ao país.
Fez a pior intervenção política da sua carreira.
Tenho grande admiração e estima pelo Prof. Cavaco Silva, sobretudo pelo extraordinário trabalho de dez anos na governação do país.
Depois de Francisco Sá Carneiro ter contribuído decisivamente para a consolidação da democracia em Portugal, foi com Cavaco Silva que o país conheceu a modernização e o desenvolvimento.
O comboio ficou no trilho certo, mas a seguir, outros se encarregaram de o descarrilar. Mas isso não é assunto para este post.
O Prof. Cavaco Silva tem de facto outra face. E essa é me mais difícil de admirar.
O politico que fez uma gestão de carreira pensando apenas em si próprio.
Poderemos até perguntar: E então? Não costuma ser assim? Mário Soares não criticou todos os líderes que se seguiram? Não é normal dizer-se que quem a mim a seguir vier de mim bom fará? Não é habitual vermos a maior parte dos políticos agir assim, pensando primeiro em si próprios?
Até poderemos responder afirmativamente, mas não gosto e não tem de ser assim.
Cavaco Silva devia ter tido outro comportamento com Fernando Nogueira, Durão Barroso e Pedro Santana Lopes. Eram seus sucessores, e eram eles que estavam a dar continuidade ao seu trabalho, na condução de um grande partido que este tinha presidido durante dez anos.
A sua acção neste episódio das escutas, acabou por prejudicar também a candidatura de Manuela Ferreira Leite.
Mas este episódio acabou por ser muito mais prejudicial para si próprio. A brincadeira de verão não correu nada bem.
A declaração de hoje, aguardada durante semanas, foi completamente vazia de conteúdo.
Ficámos absolutamente na mesma.
Só que agora, verificámos que o Presidente também fala para não dizer nada. E isso desilude, porque para isso, já bastava o Primeiro-Ministro.
Até já.

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